quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Após perder a liderança do Campeonato Brasileiro, onde esteve por 20 rodadas, o Palmeiras conquistou apenas seis em 24 pontos disputados. E a decadência alviverde teve reflexo em campo na noite desta quarta-feira, no estádio Olímpico. Na ida para o vestiário, ao fim do primeiro tempo, Obina e Maurício se desentenderam, discutiram e trocaram agressões - o zagueiro tentou (e não conseguiu) acertar o atacante, que revidou com um soco no rosto do companheiro (assista ao lance no vídeo abaixo).

Danilo e Diego Souza ainda tentaram apartar a confusão, mas os brigões acabaram expulsos e prejudicaram a equipe. Irritado, o vice de futebol do clube, Gilberto Cipullo, garantiu em entrevista coletiva depois da partida, que Obina e Maurício estão dispensados do Palmeiras.

- O que aconteceu entres eles é um outro problema. Só estou dizendo que o fato em si, a agressão recíproca, o Palmeiras não aceita. É decisão da diretoria. Maurício e Obina não vestem mais a camisa do Palmeiras. Essa é uma decisão que nós havíamos tomado e é unânime - decretou o dirigente.
Heber Roberto Lopes, que conversou com Paulo Henrique Bezerra, o quarto árbitro, no vestiário, voltou para o segundo tempo pronto para expulsar os brigões. Maurício, que já tinha cartão amarelo, levou vermelho direto, e o goleiro e capitão Marcos recebeu, de maneira simbólica, no lugar de Obina, que não voltou para o jogo - o técnico Muricy Ramalho, já temendo perder o jogador, tentou substituí-lo por Vágner Love. O árbitro, no entanto, não permitiu a alteração.

- Como o Obina não está presente, eu é que tenho de receber o cartão - disse o camisa 12, que não assistiu à confusão. - Não vi (o lance) e fiquei sabendo no vestiário. Paciência, vamos tentar a vitória assim mesmo.
O motivo da discussão entre Obina e Maurício não foi esclarecido, mas ambos falharam no gol do Grêmio, que foi para o intervalo vencendo por 1 a 0. O atacante não cortou cruzamento do Souza, e o zagueiro perdeu a disputa para Maxi López, que chutou para a defesa parcial de Marcos. No rebote, Rafael Marques empurrou para as redes. A derrota (no fim, 2 a 0 para o Tricolor gaúcho) fez o sonho do título nacional ficar muito distante, e mesmo a vaga na Taça Libertadores em 2010 fica seriamente ameaçada.

O São Paulo:
Expulsos no empate por 1 a 1 com o Grêmio, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, os são-paulinos Borges, Dagoberto e Jean receberam a mesma pena: três jogos de suspensão. Denunciados em diferentes artigos, os três ficam fora dos próximos dois duelos da equipe do Morumbi e só retornam na última partida da competição, contra o Sport.

Dagoberto, único do trio que não compareceu ao tribunal, foi denunciado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (jogada violenta) e poderia ter sido afastado por até seis partidas, enquanto Jean,
julgado no artigo 250 (ato desleal ou inconveniente), pegou a pena máxima de três jogos.

O caso mais preocupante era o do atacante Borges. O jogador seria julgado no artigo 253 (agressão física), mas teve a denúncia desclassificada para o 255 (ato hostil). Em sua defesa, o atacante ressaltou que costuma enfrentar adversários de estatura maior que a sua e precisa usar o corpo para se proteger, mas que nunca recorre à violência. - Sou um atleta que tem 1,76m de altura. Enfrento jogadores muito mais altos e costumo usar o corpo para proteger a bola. Nunca agredi nenhum companheiro na minha carreira. Nunca fui violento, nunca fui agressivo. Em momento algum eu quis machucar o companheiro. O tempo todo observei a
bola – disse Borges.
Apesar da punição, ao fim do julgamento, o atacante tricolor demonstrou certo alívio.

- Vamos respeitar a decisão, não tenho o que questionar. Ficou comprovado na nossa defesa que eu não agredi ninguém. Nunca agredi e nunca vou agredir nenhum companheiro de trabalho. Desde que aconteceu a denúncia, só eu e minha esposa sabemos da ansiedade que vivi. Mas nosso grupo é de muita qualidade e vai tentar buscar o título. Quero voltar na última rodada para ajudar nosso time.

São Paulo recorrerá nesta quinta-feira

Para o advogado do clube, Roberto Armelin, as sentenças impostas a Dagoberto e Jean foram exageradas. Armelin revelou que o São Paulo vai recorrer já nesta quinta-feira, e, caso as penas sejam mantidas, o departamento jurídico do Tricolor entrará com um pedido de efeito suspensivo.

- Com relação ao Borges, entendemos que a pena imposta é razoável. Com o Dagoberto acreditamos que eles exageraram. O fato de o jogador sorrir não explica nada, não quer dizer que foi deboche. Ele não é um menino. A do Jean, definitivamente não consigo entender, não tem explicação – avaliou Armelin.

Para o vice de futebol tricolor, Carlos Augusto de Barros e Silva, a punição demonstra um “rigor” com o clube nesta reta final do Brasileirão.
Jean e Borges compareceram ao julgamento no STJD, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira
- Estamos desgostosos com o resultado e entendemos que a punição foi excessiva. Infelizmente, assim foi feito. O São Paulo está sendo tratado com rigor incomum, diferente de todos os outros. A situação da perda de mando de campo e agora a suspensão. Reforço que o tratamento não está sendo justo. O futebol é muito emocional e envolve muitos interesses. Pode haver qualquer tipo de inclinação. Acho, por exemplo, que a cabeçada do Alan (do Fluminense) no Armero (do Palmeiras) foi um pouco pior, não? Vamos usar todos os meios legais para mudar o que for possível.

O diretor de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, adotou um tom menos inflamado e reforçou que o clube recorrerá para ter os jogadores em campo na reta final. - Houve uma mão pesada do STJD, mas nós respeitamos a decisão do tribunal, que é presidido por uma pessoa íntegra, que é o Rubens Approbato Machado, que é meu amigo particular. Eu tenho certeza que são pessoas sérias e idôneas e que eles têm os critérios deles. Se não acreditarmos nisso, vamos perder toda a confiança no futebol brasileiro. Nossos advogados vão recorrer e temos esperança de poder contar com esses jogadores antes da última rodada – explicou o dirigente, em entrevista à Rádio Globo.

Para o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, a derrota nos tribunais não significa o fim das chances são-paulinas na briga pelo título.- Não tenho muito que falar, porque o São Paulo está vendo o que vai fazer. Resultado numa hora complicada, mas são nos momentos difíceis que o São Paulo se supera. No ano passado foi assim, conseguimos dar a volta por cima e fomos campeões. Nesse ano, novamente, vamos conseguir – disse Cunha, por telefone, à reportagem do GLOBOESPORTE.COM.
Borges recebeu o cartão vermelho por ter dado um tapa e um chute no volante Túlio (assista ao vídeo). Denunciado no artigo 253 (agressão física), ele poderia ter recebido um gancho que varia de 120 a 540 dias, de acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, mas acabou tendo a denúncia desqualificada para o artigo 255 (ato hostil). Naquela partida, o atacante substituiu Washington no segundo tempo, mas ficou apenas 14 minutos em campo: reclamou, tomou cartão amarelo, fez falta dura no adversário, levou a segunda advertência e acabou expulso. O STJD entendeu como agressão. Dagoberto, que foi excluído da partida por dar um carrinho por trás no mesmo adversário, teve seu nome incluído no artigo 254 (jogada violenta), que prevê suspensão de duas a seis partidas. Jean, que fez uma falta já nos descontos da partida, foi julgado no artigo 250 (ato desleal ou inconveniente), cuja pena varia de um a três jogos.

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